quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Faladores de Línguas Parte 4


Convite à Loucura Nº28 O Cristão deve falar em Línguas Estranhas? (Parte 4)
   
       Vimos no folheto Nº25, que o verdadeiro dom de línguas era aquele do livro de Atos. No folheto Nº26, podemos observar o contexto da sociedade de Corinto, e como esse contexto influenciava os cristãos imaturos, fazendo-os usar esse dom de forma egoísta e fraudulenta. No folheto Nº27 vimos o apóstolo Paulo repreendendo os exageros dos coríntios e como eles desobedeciam as Escrituras quando falavam em línguas. Veremos agora mais heresias criadas por esses que defendem esse linguajar estranho.
1Coríntios 13.1
     Os defensores das “línguas estranhas” dizem que o barulho que eles fazem, não dá pra ser entendido por ninguém aqui na terra, pois são línguas dos anjos.

     Isso é mais uma evidência de como esse povo é ruim em interpretação Bíblica.

      Dizem eles que as línguas estranhas são idiomas dos anjos, baseando-se em 1Coríntios 13.1; “Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa ou como o címbalo que retine.” Não necessita ser um teólogo para ver que nesse versículo Paulo está usando uma hipérbole, uma figura de linguagem que engrandece ou diminui em demasia a verdade das coisas; é um exagero. Observe que Paulo continua com a figura de linguagem no versículo 2, dizendo que: “Ainda que eu (...) conheça todos os mistérios e toda ciência; ainda que eu tenha tamanha fé, a ponto de transportar montes,...”. RACIOCINE! Paulo não sabia todos os mistérios, e não tinha todo o conhecimento, e nem tinha fé capaz de mover montanhas. Com isso deduzimos que ele também não falava essa suposta língua dos anjos.

     Outra observação a se fazer nesse texto é que Paulo diz; “ainda que eu fale...” Isso mostra que ele não falava essas línguas. No entanto em 1Coríntios 14.18, ele afirma categoricamente que falava em outros idiomas mais do que qualquer irmão de Corinto.

      O Apóstolo Paulo estava escrevendo em termos gerais hipotéticos. Não há nenhum ensino Bíblico a respeito de alguma língua dos anjos especial que as pessoas pudessem aprender a falar. E para finalizar, a Bíblia está repleta de textos em que anjos se comunicam com os humanos e em nenhum desses textos eles falavam em alguma língua desconhecida dos homens.

1Coríntios 14.2
      Os defensores dessa doutrina usam esse versículo para dizer que o dom de língua é um mistério e não um idioma qualquer.

      Para a correta interpretação desse capitulo, é fundamental atentar-nos para as formas singular; língua, e a plural línguas. Paulo parece usar o singular para distinguir o falso dom da algaravia pagã e o plural para indicar o dom genuíno de uma língua estrangeira. Apesar de em algumas traduções não esteja indicado, de modo consistente, a distinção entre a forma singular e a plural. Mas o que nos interessa são os originais e não as traduções.

     Singular, veja versículos, 2; 4; 13-14; 19; 27. Plural, veja versículos, 6; 18; 22-23. Quando está no singular indica que se trata da falsa algaravia do falso discurso extático pagão. Quando é usado o singular é por que a falsa língua não pode ser plural; não existem diversos tipos de línguas inexistentes. Existem, todavia, diversas línguas estrangeiras; assim, nesse texto, quando fala a respeito do verdadeiro dom de línguas, Paulo emprega o plural a fim de fazer a distinção. Com isso aprendemos que mesmo na época de Paulo essas línguas extáticas já existiam, mas que nada tinham a ver com o verdadeiro dom de línguas.

    Veja também que quem estava falando essas línguas não se dirigiam a homens, mas sim a “deus”.  Pois a melhor tradução para esse trecho seria; “a um deus”. O texto em grego não tem o artigo definido, e por isso, não se refere ao nosso Deus Todo Poderoso, e sim a um deus, ou demônio. A algaravia deles era adoração a deuses pagãos. Mesmo que inconscientemente os coríntios estavam adorando a deuses pagãos com seu falso dom de línguas.
      A Bíblia não apresenta nenhuma ocorrência de qualquer cristão falando a Deus em nenhuma outra língua a não ser na língua dos seres humanos.

      “...visto que ninguém o entende, e em espírito fala mistérios.” Os Coríntios carnais, usando o falso discurso extático do paganismo, não estavam interessados em ser entendidos, mas em apresentar um espetáculo dramático. O espírito por intermédio do qual falavam não era o Espírito Santo, mas o próprio espírito humano deles ou algum demônio; e os mistérios que eles declaravam eram do tipo associado às religiões pagãs de mistérios, que era adotado pela sua profundidade que somente alguns poucos iniciados tinham o privilégio de conhecer e entender. Esses mistérios são totalmente diferentes daqueles mencionados nas Escrituras, os quais eram revelações divinas de verdades que antes eram escondidas.
      Se você costuma entrar em transe e balbuciar palavras que não compreende, cuidado; você pode estar cultuando a demônios.

Marcos 16.14-20
      Os que defendem a doutrina de línguas estranhas, dizem que esse texto conclui que essa doutrina é irrefutável, contudo, mais uma vez o que se conclui é como essa gente é ruim em interpretação bíblica. Dizem eles que esses sinais que estão registrados aqui, devem marcar a vida de todos os que crêem em Jesus. Mas, será mesmo isso que o texto está dizendo? Vamos analisá-lo!
      Depois de ressuscitado, Jesus apareceu a Maria Madalena que imediatamente foi anunciar a boa nova aos companheiros de Jesus, e eles não acreditaram nela (versículos 9-11). Jesus também apareceu a dois companheiros seus que foram imediatamente contar aos outros, mas também não lhes deram crédito (versículos 12-13). Finalmente foi necessário o próprio Jesus aparecer a eles. E assim sendo, lhes repreendeu a sua incredulidade e a sua dureza de coração, já que não tinham dado crédito aos que já o tinham visto ressuscitado. (versículo 14). Eles não acreditaram no testemunho da ressurreição, Lucas 24.10-11. Nisso Jesus diz: “Vão por todo o mundo pregar o meu evangelho, pois estes sinais vão lhes acompanhar, se vocês crerem...”. Daí ele descreve essa pequena lista de sinais. Jesus diz que esses sinais seguiriam os que cressem e não os que continuassem com a “incredulidade e dureza de coração.” E realmente quando eles creram, os sinais confirmaram suas palavras, veja versículo 20.
       Veja que o versículo 20 começa com; “e eles...” Quem eram esses, eles? Todo mundo que crer em Jesus? Claro que não! O contexto claramente diz que eram os discípulos.
        Esses sinais foram prometidos à comunidade dos apóstolos (Mateus 10.1; 2Coríntios 12.12), Não a todos os crentes de todas as épocas.
        Não há base bíblica para acreditarmos que todos os que crêem em Jesus têm o dever de operar esses sinais descritos em Marcos 16.17-18. Se bem que os defensores de línguas estranhas, não querem nem de longe beber alguma coisa mortífera, como o veneno; ou querem?
neós ou kainós ?
         Outro fato que derruba essa heresia é o termo grego “novas”, pois o texto diz que: “Falarão novas línguas.” Pois bem; a língua grega conhece basicamente duas palavras para expressar a idéia de novo, néos e kainós, neós é novo, não existente antes. Mas a que é empregada aqui é “kainós”, não descreve algo novo no sentido temporal, e sim algo não usual, nada corriqueiro. Não usado no momento, mas que já existia. Essa heresia poderia ser sustentada se o termo usado aqui fosse neós, mas é kainós. As “novas” línguas desse texto são as “outras” línguas de Atos 2. Obviamente, não eram novas para os ouvintes, e sim para aqueles que as falavam.

       Para quem acha que eu estou errado, pode até ser que eu esteja, escrevam-me, tenham coragem, mas só aceito objeções se forem pautadas na Bíblia Sagrada!
       Em Cristo
       Francisco Rodrigues Filho




segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Faladores de línguas parte 3


Convite à Loucura Nº27 O Cristão deve falar em Línguas Estranhas? (Parte 3)
   
       Vimos no folheto Nº25, que o verdadeiro dom de línguas era aquele do livro de Atos, onde os homens de Deus pregavam sua palavra em vários idiomas que não foram por eles aprendidos. No folheto Nº26, podemos observar o contexto pagão em que se encontrava a sociedade de Corinto, e como esse contexto influenciava os cristãos imaturos, fazendo-os usar esse dom de forma egoísta e fraudulenta; vimos também o quanto o dom de línguas do livro de Atos era diferente do que era praticado em Corinto; e como nos dias atuais pratica-se a mesma heresia do tempo de Corinto.  Nesse folheto Nº27 veremos o que mais Paulo tem a nos ensinar nessa área.
O Que Paulo nos diz?
1Coríntios 14
     Os fenômenos ocorridos entre os coríntios devem ser olhados com cautela, procurando explicações deles no que o Apóstolo Paulo ensinou.
     Veja que no inspirado entender de Paulo, as línguas extáticas, inarticuladas, faladas em Corinto são:

      a)- Sem proveito 1Co 14.6 (...em que vos aproveitarei,...).

      b)- Sem entendimento 1Co 14.9 (...como se entenderá o que dizeis? Porque estareis como se falásseis ao ar.)

      c)- Infrutífera, 1Co 14.14 (... a minha mente fica infrutífera.)

      d)- Sem edificação para a igreja, 1Co 14.17 (...o outro não é edificado.)

      e)- Sem instrução, 1Co 14.19 (...prefiro falar na igreja cinco palavras com o meu entendimento, para instruir outros, a falar dez mil palavras em outra língua.)

       f)- Sem maturidade, 1Co 14.20 (...sede homens amadurecidos.)

      g)- Sinal de insanidade e não de equilíbrio, 1Co 14.23 (Se, pois, toda a igreja se reunir no mesmo lugar, e todos se puserem a falar em outras línguas, no caso de entrarem indoutos ou incrédulos, não dirão, porventura, que estais loucos?).     

     Veja que, quando o dom de língua era exercido dominantemente e descontrolado na reunião, a confusão reinava e o evangelho era desonrado e desacreditado como acontece nos dias de hoje. Assim como acontece nos dias atuais, quando todos se reúnem e falam em línguas estranhas são taxados de loucos por aqueles que deveriam estar sendo evangelizados. Essa palavra “louco”, no grego: maínomai, significa estar num frenesi descontrolado. Quando o verdadeiro dom foi utilizado em Atos 2, não houve loucura e muitos entenderam na sua própria língua o que estava sendo dito. Já aqui em Corinto, havia um caos carismático, como acontece nos dias de hoje.
     Essas línguas de Corinto duramente repreendidas por Paulo não são as mesmas de Atos. Talvez sejam as mesmas faladas hoje em dia. E, se Paulo viesse para os nossos dias, com certeza ele repreenderia esses irmãos que usam essas línguas para parecerem mais espirituais do que os outros, e que não se reúnem para a edificação mútua, mas, para a confusão e desordem.
     Pode-se dizer que as línguas que se ouve hoje nessas igrejas são; ou línguas extáticas ou línguas fraudulentas; é o que vamos ver agora, pois o verdadeiro dom de línguas é uma habilidade que o Espírito Santo concede ao crente, com o objetivo do crescimento espiritual e o aperfeiçoamento dos que fazem parte da igreja, mas, nunca leva o crente a um estado de êxtase, como se vê hoje nas igrejas.

    Existem regulamentos para se falar em línguas que hoje são desobedecidos.

Regulamentos Para se Usar esse Dom.
   Devido à desordem estabelecida em Corinto, Paulo dita alguns regulamentos para se falar em línguas. Regulamentos que não devem ser esquecidos ou negligenciados, eles foram estabelecidos por Deus por intermédio de Paulo divinamente inspirado. E, acreditem, Deus não daria o seu dom se sua palavra fosse desobedecida.

   Em 1Coríntios 14.26-40, encontram-se vários regulamentos para o uso das línguas na Bíblia. Hoje, esses regulamentos são totalmente desrespeitados.

 Quatro Regulamentos Desobedecidos.
   1)- 1Coríntios 14.27 “...que não sejam mais do que dois ou quando muito três,...”. Desrespeitando essa regra, nos ajuntamentos de hoje, às vezes, tem dúzias falando no mesmo tempo.

    2)- 1Coríntios 14.27, “...e isto sucessivamente, ...”. Isto é, numa sequência, um após o outro, em vez disso atualmente muitas pessoas falam simultaneamente.

   3)- 1Coríntios 14.27, “...e haja quem interprete.” Tudo que fosse falado em línguas no culto ao Senhor, tinha que ser interpretado. Hoje a bagunça é feita quer haja intérprete ou não. Geralmente não há!

    4)- 1Coríntios 14.28, “...não havendo intérprete, fique calado na igreja.” O uso do imperativo presente ativo no original; sigáô, “fique calado”, significa ficar quieto, calar-se.

     Esse imperativo demonstra que Paulo não estava disposto a abrir exceções. O verbo calar indica que não se deve falar sobre hipótese alguma. O tempo presente indica que não deviam falar nenhuma vez em língua. Sem a interpretação, em uma igreja que estivesse obedecendo às instruções de Paulo à risca, não se ouviriam línguas. Somente nas ocasiões em que interpretes “bem conhecidos”, “experientes” e “comprovados” estivessem presentes é que seriam exercidas as línguas. É uma ordem apostólica e Paulo esperava que a mesma fosse cumprida. Paulo usa esse imperativo “cale-se”, três vezes nessa seção v.28; 30; 34. Observe que no versículo 37, Paulo diz que o que ele estava escrevendo é; mandamento do Senhor, e se alguém ignorar isso; será ignorado, versículo 38.
     Tanto naquele tempo como hoje o problema é o mesmo; todos falando juntos sem ordem e sem decência, saturado de vozeirão e barulho.

     Vimos aqui que os coríntios estavam usando suas experiências extáticas como pretexto para fugir da autoridade do apóstolo Paulo, mas em todos os tempos a autoridade de qualquer mensagem se comprova pela sua submissão à autoridade dos escritos apostólicos do Novo Testamento.

      Diante desses abusos qualquer um pode deduzir que; se as igrejas que mais dizem que falam em línguas, desrespeitam a Bíblia no uso destas línguas; essas línguas não são de Deus. É simples assim! Os movimentos, hoje, onde têm essas manifestações de línguas estão sempre desobedecendo essas determinações e mandamentos do apóstolo Paulo inspirado por Deus. Será possível que o Espírito Santo de Deus continuaria a dar um dom em ambientes onde sua palavra é continuamente desobedecida? É claro que não!

      O movimento de língua estranha atual está totalmente desacreditado como legítimo, já que não segue as ordens claras e reguladoras contidas nesses versículos.

      Outra prova de que esses fenômenos não fazem parte dos dons distribuídos por Deus é que vários grupos diferentes e com doutrinas diversas e estranhas à Bíblia, falam essas línguas estranhas; que realmente são estranhas. Hoje, as “línguas” são usadas por muitas e diferentes grupos religiosos que pregam e ensinam doutrinas contraditórias. A Igreja Universal do Reino  de Deus, Assembleia de Deus, Deus é amor e até grupos que negam a trindade, como os     Mórmons. Todos esses grupos falam essas línguas estranhas. E até mesmo os Católicos Carismáticos praticam essas algaravias extáticas.

    Agora prestem atenção; se não for como estou dizendo, então o Espírito Santo está dando seu sinal de aprovação a igrejas que pregam coisas que contradizem completamente umas as outras. Sem falar que muitas das doutrinas e práticas de alguns desses grupos, alem de contradizer umas as outras, contradizem também totalmente a Bíblia Sagrada. Será que o Senhor é Deus de confusão? Claro que não!

     1Coríntios 14.33;40. Veja nesses versículos que quando a igreja se reúne em adoração a Deus deve refletir o caráter e a natureza dele, porque ele é um Deus de paz e harmonia, ordem e clareza, não de brigas e confusão.

Em Cristo

Francisco Rodrigues Filho



sábado, 18 de agosto de 2012

Convite à Loucura Nº 26


Convite à Loucura Nº 26 O Cristão deve falar em Línguas Estranhas? (Parte 2)
                 
       Esforcei-me o quanto pude, no folheto anterior, para mostra-lhes que no Livro de Atos está presente o verdadeiro dom de Línguas, que era os homens de Deus falando e pregando sua palavra em qualquer idioma sem precisar serem poliglotas. O Espírito Santo de Deus os capacitava de maneira inigualável a se expressarem em uma língua que eles não dominavam. Mostrei também o quanto é diferente aquele dom maravilhoso do que se vê hoje nos templos por aí!
        Vamos agora estudar 1 e 2 Coríntios. Pois, como disse Paulo: “A respeito dos dons espirituais, não quero, irmãos, que sejais ignorantes.” 1Coríntios 12.1.
Contexto histórico.
        Coríntios era uma cidade portuária muito importante da Grécia. Uma cidade extremamente devassa, que tinha um templo de Afrodite em cima de uma montanha; onde cultuavam falsos deuses com sexo intensamente devasso. Afrodite, no panteão grego, era a deusa do amor. Cerca de mil sacerdotisas, as quais eram prostitutas “religiosas”, viviam e trabalhavam lá e desciam para a cidade à noite a fim de oferecer seus serviços aos homens da cidade e aos visitantes estrangeiros. Mesmo pelos padrões pagãos de sua própria cultura, Corinto tornou-se tão corrupta moralmente que o seu próprio nome virou sinônimo de depravação: “corintianizar” representava imoralidade flagrante e libertinagem acompanhada de embriaguez. De acordo com estudiosos, Corinto era uma cidade de marinheiros de gente de várias culturas, viajantes que quando passavam por ali queriam dar uma de playboys da era antiga. Bacanal, orgias, devaneios sexuais; tudo isso ligado ao paganismo religioso.
       1Coríntios 12. 1-14.40. Essa seção concentra-se nos dons espirituais na igreja
A situação da falsa religião em Corinto provocava manifestações espirituais forjadas que tinham que ser confrontadas. O principal objetivo desta epístola (carta) é a correção do comportamento.
                                                       A Lista de Dons                         
       Paulo não escreveu essa lista de dons para dizer que todos os crentes em todas as épocas fariam, ou teriam esses dons maravilhosos. Qual era, então, a finalidade de Paulo? Era justamente repreender os Coríntios por enfatizar alguns dons e desprezar outros (v.14-20). Eles também estavam desprezando aqueles irmãozinhos que tinham outros dons, mas não eram espetaculares (v.21-26).

        Por meio da ilustração que Paulo faz de como cada parte do corpo humano é essencial para o funcionamento do todo. Alguns membros egoístas estavam descontentes com seus dons, almejando dons que não haviam recebido (v.11). Paulo ressalta que os dons não devem ser buscados, mas recebidos do Espírito “como lhe apraz”. É somente ele quem “opera” ou estimula, (v.6), todos os dons do modo como ele mesmo decide. Por isso é idiotice ficar buscando dons. Almejar um dom por razões egoístas é errado, já que eles foram soberanamente concedidos por Deus como lhe aprouve (v. 7; 11; 18; 28).

        As línguas que vimos em Atos, era o verdadeiro dom de línguas; já o que veremos aqui na carta aos coríntios e o que vemos nos templos, hoje, são línguas fajutas ou manifestações de êxtase causado pela emoção com uma “ajudazinha” dos demônios.

         É justamente isso que me proponho a mostrar, na Bíblia, daqui pra frente.
Os dons espirituais são capacitações divinas para o serviço (ministério) que o Espírito Santo dá em certa medida a todos os cristãos e devem estar totalmente sob o seu controle, bem como ser usados para a edificação de todos que fazem parte da Igreja para a glória de Cristo.

         O que estava acontecendo em Corinto era que a falsa religião estava provocando manifestações espirituais forjadas, e como já disse, tinham que ser confrontadas. Paulo ensinou que os verdadeiros dons devem ser diferenciados das experiências místicas denominadas “êxtase” que na realidade era comunhão sobrenatural e sensual com uma divindade e também “entusiasmo”, que eram adivinhações, sonhos, revelações e visões. Tudo isso era encontrado nas religiões pagãs de Corinto. Leia 1Coríntios 12. 1-11.
       É por isso e muito mais que não devemos estabelecer como regra de interpretação e nem como modelo de comportamento religioso, as crenças e o comportamento dos crentes de Corinto. A Bíblia nos diz que a igreja de Corinto tinha todo tipo de pecado, de irmãos que se embriagavam na celebração da ceia (1Coríntios 11.21), a irmãos que estavam tendo relações sexuais com a madrasta (1Coríntios 5.1).

        Diante disso nos questionamos; “Devemos imitar os coríntios?” É o que os faladores de línguas estranhas estão fazendo. ESSE FALAR EM LÍNGUAS QUE ESTAVA ACONTECENDO EM CORINTO NÃO É A MESMA DE ATOS. NO MÍNIMO É A MESMA QUE FALAM HOJE, NOS TEMPLOS, PENTECOSTAIS E NEO-PENTECOSTAIS.
        A igreja de Corinto que se tornou célebre na deturpação das práticas do cristianismo, foi a primeira a lançar a confusão que ainda hoje perdura.
       Essa língua falada em Corinto é totalmente diferente da de Atos. Aqui, essas línguas não passa de algaravias, ou seja; linguagem pouco inteligível. É uma língua extática, onde a pessoa se fala num estado de êxtase, fora de si. Ou era uma linguagem fraudulenta que nada tem a ver com o verdadeiro dom de língua de Atos. A Bíblia não apresenta nenhuma ocorrência de qualquer cristão falando a Deus em nenhuma outra língua a não ser na língua comum dos seres humanos.
1Coríntios 12
       Outra  prova Bíblica de que o batismo com o Espírito Santo, não tem nada a ver com o falar em outras línguas, é o capítulo 12 de 1 Coríntios.
      Veja 1Coríntios 12. 29-30, e observe essas sete perguntas que Paulo faz. Ele usou, no grego uma partícula interrogativa quando se espera uma resposta negativa; grego: “mi.”Exemplo; a primeira pergunta: “Porventura, são todos apóstolos?” grego: “mi pántes apóstoloi;”. Também podia se traduzir por: “Acaso, são todos apóstolos?”. Cada uma dessas sete perguntas retóricas esperava-se um “não” como resposta. Ou seja; os irmãos de Corinto tinham dons, mas, não eram todos apóstolos, nem todos eram profetas, nem mestres. Não eram todos que operavam milagres. Também não eram todos que curavam. Não falavam todos em línguas. Entendeu?
      Não eram todos os irmãos que falavam em línguas!
       Você pode me perguntar: “O que isso tem a ver?” Explico agora! Nem todos os irmãos de Corinto falavam em línguas. Contudo todos eles foram batizados com o Espírito Santo; leia 1Coríntios 12.13.
       Isso deixa claro que o batismo com o Espírito Santo, não tem nada a ver com o falar em outras línguas. Nem todos falavam em línguas, contudo, foram todos batizados com o Espírito Santo.
    Os que defendem as línguas estranhas pregam que; sempre que se é batizado com o Espírito Santo, o que prova esse acontecimento é a manifestação de se falar essas línguas estranhas. Ou seja todos que forem batizados no Espírito têm que falarem línguas estranhas. 1Coríntios 12.13, Esse texto da Bíblia descarta essa idéia. Alguns irmãos em Corinto não falavam em línguas, apesar de terem sido batizados com o Espírito Santo.      
       O fenômeno de línguas estranhas na igreja de Corinto, é de natureza diferente da de Atos. Aqui se trata de fala extática, ou seja; pessoas em êxtase, emitindo oralmente sons inarticulados, que não formam idiomas, ou pessoas imaturas querendo exibir-se e vangloriar-se de um dom que nunca receberam de verdade como se vê nas igrejas hoje em dia, ao contrário das línguas faladas no livro de Atos.

Em Cristo

Francisco Rodrigues Filho

sábado, 28 de julho de 2012

Convite à Loucura Nº25. O Falar em Línguas Estranhas.















Convite à Loucura Nº25 O Cristão deve falar em Línguas Estranhas? (Parte 1)

      As “doutrinas” são muitas nesse enorme e multifacetado segmento religioso de nossos dias. Toda essa confusão religiosa tem acarretado problemas como a superficialidade da teologia, pessoas que ficam flutuando de igreja em igreja, a flexibilização dos costumes e a exploração da fé com objetivos puramente financeiros. A “oferta” evangélica na mídia é tão intensa que fica difícil distinguir o trigo do joio.
      Nós que fazemos o CONVITE À LOUCURA sabemos que nosso papel como veículo de informação, apologia, edificação e serviço só será plenamente exercido se nossa postura em relação ao segmento evangélico for, ao mesmo tempo, crítica e que tenha propósito. Somente assim, apontando rumos que podem ser melhores, todos os cristãos (que nos lêem) poderão colaborar no sentido de levar ao mundo o Evangelho que salva.

       Mais uma batalha a ser travada é essa que tem o objetivo de esclarecer a muitos cristãos sobre essa questão de alguns “falarem línguas estranhas”.
       Daqui pra frente, em uma sequência de estudos, iremos ver detalhadamente toda essa questão sobre línguas estranhas.
       Meus amados irmãos...
       Vamos à Bíblia Sagrada!
       Alguns camaradas, líderes e membros cegos, intoxicados de doutrinas e regras de religiosos, ensinam algo muito estranho sobre um dom que Deus outorgou aos crentes do passado (isso não quer dizer que ele não pode mais distribuir esse dom nos dias atuais). Vamos avaliar, na Bíblia, esses fenômenos e vamos, com a ajuda do Espírito Santo, descobrir o que o Senhor tem pra nos ensinar.
Atos  2
A Enorme Diferença Entre o “Dom de línguas” e essas “línguas” que se falam hoje em dia.
    Os adeptos das “línguas estranhas” não podem se basear em Atos Capítulo 2 para sustentar sua doutrina de que só os que falam essas línguas estranhas são os que foram batizados com o Espírito Santo. Nem que todos que são batizados com o Espírito Santo devem falar essas línguas estranhas!
     Primeiro vamos ver a enorme diferença entre o Dom de Línguas, para essas línguas estranhas faladas hoje em dia.
     No dia da festa de Pentecostes, quando os Galileus foram vistos falando tantas línguas diferentes, os judeus da Judéia ficaram atônitos. Leia Atos 2.1-13, essas línguas eram idiomas estrangeiros existentes, articulados, conhecidos dos ouvintes, que entenderam a mensagem em seus dialetos nativos (Atos 2.7-8;11).
     A primeira diferença é que o ambiente era muito diferente: A) Eles não estavam pedindo ou buscando, como fazem alguns camaradas nos dias de hoje. Passam horas, dias, semanas e até mesmo meses pedindo e buscando esse batismo; chorando, jejuando; é um verdadeiro descomedimento, um despropósito, uma baboseira só. Não! Os discípulos em Atos 2, não fizeram isso. B) Eles também não estavam pulando, gritando, ou dando gritos de “glórias”, e nenhum pastor ungido estava impondo suas mãos vazias sobre  suas cabeças vazias, como se faz nos dias atuais. E como eles estavam? A Bíblia diz que estavam “assentados”, Atos 2.2. Que diferença do que se vê na contemporaneidade.
      Atos 2.1-12; No versículo 4, o texto diz, literalmente no grego; “outras línguas”. Não eram línguas estranhas. O termo; “língua estranha” não existe no Novo Testamento. Mas sim, outros idiomas, e, quais foram esses outros idiomas? O próprio texto responde essa pergunta; veja Atos 2.6-8;11. A multidão podia entender, compreender o que os discípulos estavam falando, pois eles falavam nos seus dialetos e línguas de suas nações. Esse “falar em línguas” do livro de Atos é o legítimo dom de línguas dado por Deus, e é muito diferente das loucuras que se vê nesses ambientes pentecostais e neo-pentecostais.
     Não era língua estranha sem sentido algum, pois nenhum idioma no mundo é sem sentido, 1Coríntios 14.10; “Há, sem dúvida, muitos tipos de vozes no mundo; nenhum deles, contudo, sem sentido”. Nesse versículo Paulo aponta o óbvio: o propósito de toda língua é comunicar, e não impressionar e, certamente, não confundir, como os pentecostais, e outros amantes desse tipo de língua estranha, estão fazendo com suas distorções. Cada pessoa ouvia os apóstolos falar em sua própria língua (Atos 2.6-8;11). O verdadeiro dom de línguas nunca foi um blá, blá, blá, que ninguém compreende, mas uma língua humana que deveria ser traduzida 1Coríntios 14.13.
Atos 10
Vejamos o Dom de Línguas na experiência de Cornélio.
      Atos 10.44-48; Aqui está a segunda ocorrência do verdadeiro dom de línguas no livro de Atos, na experiência de Cornélio e os da sua casa.
     Leia o versículo 46 de Atos 10, e responda francamente; como poderia os ouvintes saber ou entender que Cornélio e sua casa estavam exaltando a Deus, se eles estivessem falando uma língua estranha como essa que se falam nas igrejas nos dias de hoje? Um “blaraculuxuminaxaiaram”que ninguém, em país nenhum entende. O povo que veio com Pedro, como diz o texto, entendia que Cornélio estava exaltando a Deus porque não era uma língua estranha sem sentido, que Cornélio falava, e sim outro idioma.
Atos 19
Vejamos a Experiência dos Doze Discípulos de João.
      A terceira e última ocorrência do verdadeiro “Dom de línguas” em Atos, acha-se na experiência dos doze discípulos de João, o batista, em Éfeso; Atos 19.1-7. Os pentecostais usam esse texto para ensinar que a  pessoa depois de convertida, depois de ser crente, recebe uma segunda bênção que é o do batismo com o Espírito Santo, e isso é evidenciado pelo dom de línguas estranhas. Isso mostra o quanto esse povo é ruim em interpretação Bíblica. O texto claramente demonstra que esses camaradas, discípulos de João, não eram crentes, pois nem conheciam Jesus, nem o Espírito Santo, (Atos 19.2).
      Esse texto de Atos 19.1-7, também nos esclarece que recebemos o Espírito Santo no momento em que cremos, enquanto os pentecostais, e seus ramos, ensinam que; Creem depois é que  recebem, depois de falarem línguas estranhas. Paulo perguntou: “Recebestes, porventura, o Espírito Santo quando crestes?” Ou seja;  Vocês receberam   o   Espírito  Santo  no momento em que creram? Isso demonstra claramente que se recebe o Espírito Santo no momento que se crer! O Evangelho de Jesus Cristo revelado por Deus deve ser ouvido (Romanos 10.17) e crido (João 1.12) para se receber o Espírito Santo e a salvação, (Efésios 1.13-14), veja nesse versículo que crer e receber o Espírito Santo são duas ações simultâneas. Quem não recebeu, não creu, quem creu, já recebeu! Não pode existir essa conversa de crer e depois ficar fazendo simpatias, bruxarias e loucuras para recebê-lo. Veja também que em Atos 19.4, Paulo deu instrução não sobre como receber o Espírito, como se fazem nesses redutos pentecostais, mas sobre Jesus Cristo. Tem igrejas por aí que dão até cursos de como receber o Espírito Santo; outras ensinam detalhadamente o que fazer para que o Espírito venha sobre eles. Paulo do contrário ensina-lhes sobre Cristo nossa salvação, e, em crendo, são automaticamente batizados por Cristo com o Espírito Santo.
     Essas línguas em que esses dozes homens ficaram profetizando, eram outros idiomas como os de Atos 2. Profetizar é falar e pregar corajosamente a palavra de Deus
Um Resumo do que Vimos!
     Os fenômenos de línguas que vimos em todo o livro de Atos, são o verdadeiro fenômeno de línguas dado por Deus. Concluímos, pois que o verdadeiro “Dom de Línguas,” nada tem haver com essa bagunça esquisita que se vê nesses ambientes pentecostais.
     Todos esses dons estiveram presentes e bem ativos no início da igreja e teve um objetivo sem igual.
     Se você fizer um estudo minucioso nas escrituras sobre esse tema, verá que os dons de milagres (que depois escreverei sobre eles), cura, variedade de línguas e interpretação de língua, foram manifestações temporárias, somente para a era dos apóstolos e, portanto, cessaram. O propósito deles era autenticar os apóstolos e suas mensagens como a verdadeira Palavra de Deus, até que a Bíblia completa fosse concluída e se autenticasse por si própria.

Em Cristo
Francisco Rodrigues Filho     



domingo, 24 de junho de 2012

Uma Igreja sem Placas!


Convite à Loucura Nº 24 Uma Igreja sem Placas!
      Muitas pessoas têm nos perguntado como se chama a igreja que agora nos congregamos. Apesar de não parecer, mas essa pergunta é muito difícil de se responder porque as pessoas têm uma ideia muita errada do que seja igreja nos dias atuais.
     Os irmãos trazem na cabeça a concepção de igreja como a estrutura material onde se reúnem nos fins de semana.
     Igreja é a tradução da palavra grega ekklesia, que significa assembleia dos servos de Deus, e que antes tinha um significado totalmente secular. A Igreja é um grupo de seguidores de Cristo que se reúnem, ou não, em um determinado lugar frequentemente. Também para adorar a Deus, já que isso deve ser feito durante todos os minutos de nossa vida. A palavra igreja considera a totalidade das pessoas salvas em todos os tempos. Efésios 1.22; Romanos 16.16.
Quem somos nós.
     Temos procurado retornar aos princípios e práticas do Novo Testamento. Crendo que “a igreja do Deus vivo” que foi formada pelo Espírito de Deus consiste num único corpo, composto por todos os crentes em Cristo que nasceram de novo e nos quais habita o Espírito Santo, eles se congregam em seus respectivos lugares simplesmente na condição de membros desse “um só corpo” que há (1Timóteo 3.15; Romanos 12.5; 1Coríntios 12.12-13; Efésios 4.4).
      A palavra igreja não carrega em si mesmo nenhuma conotação mágica, como alguns agem como se cressem nisso. Pode ser o grupo de Deus, o bando de Deus, a turma de Deus e assim por diante.
     O temor que as pessoas têm desse termo, demonstra o quanto elas o considera uma coisa sacrosanta, e sabemos que não é. É comum alguém dizer assim: “Rapaz comporte-se, pelo menos dentro da igreja.” Isso nos faz ver que o termo igreja, hoje em dia, é tido como algo sagrado. Mas não era assim na época neotestamentária. Era apenas uma reunião dos irmãos. Simples assim.
      O Espírito de Deus é reconhecido como o presidente e guia legítimo na nossa igreja, e a Bíblia é considerada como guia e autoridade plenamente suficiente e divinamente inspirada, 2Timóteo 3.16-17. A Bíblia nos ensina que todos os verdadeiros cristãos são um sacerdócio real e santo, e que o Espírito Santo tem a liberdade de usar qualquer um que ele deseje como seu porta voz na oração e no louvor, 1Pedro 2.5;9; 1Coríntios 12.11.
       Reconhecemos plenamente que Cristo é a cabeça da nossa Igreja e que ele tem dado dons a ela, profetas, evangelistas, pastores e mestres. Tudo isso para seu aperfeiçoamento na obra do ministério, Efésios 4.7-12. Não temos um ministério de um só homem, nem é designado por homem nenhum, Mas pelo próprio Deus.
       Não temos organização institucional, matriz ou autoridade central, nem bispos, nem pastores de mocidade, nem pastores titulares, nem pastores dirigentes, ou clero ordenado. Também não somos independentes. Funcionamos de forma conjunta, procurando “preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz” (Efésios 4.3).
      Se você chegar a ver alguma de nossas reuniões estranhará bastante pois, não verá nenhum clérico ou ministro, nem algum presbítero ou outro homem qualquer encarregado da reunião. Quer saber qual é o programa do culto? Não existe nenhum! Em nossas reuniões todos os irmãos atuam como “sacerdócio santo” para oferecerem sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus, por Cristo Jesus (1Pedro 2.5). Reconhecemos e colocamos em prática a presidência espiritual do Espírito Santo através das Escrituras Sagradas.

Como somos chamados?
      Com relação a nossa designação, preferimos ser chamados de “cristãos”, “santos”, “irmãos”, etc., encontrados nas Escrituras e que são aplicáveis a todos os filhos de Deus. Rejeitamos qualquer nome denominacional, desejamos ser conhecidos simplesmente como “cristãos reunidos em Nome do Senhor Jesus Cristo”. Lembramos de Tiago 2.7, que fala desse “bom nome que sobre vós foi invocado”.
O Motivo de Nossas Reuniões?
      Biblicamente existe vários tipos diferentes de reuniões em que os cristãos primitivos se congregavam; reuniões de oração, reuniões evangelísticas, reuniões ministeriais, reuniões apostólicas, concílios eclesiásticos, etc...
      As reuniões especiais aos Domingos, é a que eu estou me referindo. As nossas reuniões, assim como a dos cristãos primitivos nem é para adoração corporativa, nem pra se fazer evangelismo, nem pra se escutar um sermão e nem é para se confraternizar.

     Nós não nos reunimos para:
     ADORAÇÃO CORPORATIVA: Já que adoração deve ser algo que vivemos. Deus merece e deve ser adorado em cada momento de nossa vida e não somente quando nos reunimos em algum lugar. Mateus 2.11; Romanos 12.1; Filipenses 3.3. Na mente de muitos, a adoração restringe-se a cantar musicas evangélicas, levantar  as mãos e chorar ou fazer cenas de teatros no meio dos templos.

    Com certeza, também não é para:
    FAZER EVANGELISMO: Nos ocupamos no evangelismo fora das reuniões, como os irmãos do Novo Testamento que evangelizavam nos lugares que os inconversos frequentavam, por exemplo, nas sinagogas (dos judeus) e nas praças de mercado.  Os incrédulos podiam até aparecer, mas estas reuniões não eram feitas para eles, nem os membros se esforçavam para trazê-los. Assim, a congregação da igreja neotestamentária era principalmente uma reunião dos crentes.      

    Nem para:
    ESCUTAR UM SERMÃO: A noção de uma reunião dessas que tem um estilo púlpito-auditório, enfocada no sermão, não pode ser aprovada no Novo Testamento. De fato, os apóstolos ministravam a Palavra de Deus amplamente em certos ambientes. Mas esses ambientes não eram “reuniões da igreja”.

    E nem muito menos para:
    SE CONFRATERNIZAR: A Confraternização ou comunhão também não era o propósito principal da reunião neotestamentária. Assim também não é o nosso propósito. A confraternização é simplesmente uma das muitas consequências orgânicas que emergem quando o povo de Deus começa a entronizar prazerosamente ao Senhor Jesus Cristo e a permitir que seu Espírito dirija suas reuniões (Atos 2.42). A confraternização é necessária mas não deve ser igualada com o propósito da reunião dos crentes.
      Se a reunião dos crentes não tem como propósito nada disso que foi abordado aqui, qual era o principal propósito da reunião então?
      De acordo com as Escrituras o propósito principal da reunião dos crentes era a edificação e exortação mútuas. 1Coríntios 14.26 apresenta isso de forma clara: “...seja tudo feito para edificação.”
      Hebreus 10.24-25 expressa isso de forma ainda mais clara: “Consideremo-nos também uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras. Não deixemos de congregar-nos, como é o costume de alguns; antes, façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima.”
      Romanos 14.19; “Assim, pois, seguimos as coisas da paz e também as da edificação de uns para com os outros.  
      1Tessalonicenses 5.11; “Consolai-vos, pois, uns aos outros e edificai-vos reciprocamente, como também estais fazendo.”
     Hebreus 3.13-14; “pelo contrário, exortai-vos mutuamente cada dia, durante o tempo que se chama hoje, a fim de que nenhum de vós seja endurecido pelo engano do pecado.”        
       Efésios 4.15-16; “Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo, de quem todo corpo, bem ajustado e consolidado pelo auxílio de toda junta, segundo a justa cooperação de cada parte, efetua o seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em amor.
       A reunião original dos crentes vista no Novo Testamento foi desenhada para permitir que todo membro da assembléia participe na edificação do corpo como um todo e que não está confinado à liderança de um homem (como o pastor). Segundo as palavras de Paulo, “falando entre si com salmos” na reunião local. Até os próprios cânticos eram marcados por um elemento de reciprocidade quando Paulo exorta aos irmãos para que “ensinem e aconselhem-se uns aos outros... e cantem salmos e hinos espirituais com gratidão a Deus em seu coração” (Efésios 5.19;Colossenses 3.16).
       Alegria, sinceridade e espontaneidade é o espírito principal dessa reunião e a edificação mútua é sua meta fundamental.

       Em Cristo
       Francisco Rodrigues Filho






quarta-feira, 20 de junho de 2012

O Púlpito e o Sermão.



Convite à Loucura Nº 13  O Púlpito e o Sermão.

     Jesus e os discípulos pregavam  por todas as cidades e lugares, Mateus 11.1; Marcos 16.20, nas sinagogas Atos 9.20, desertos, Mateus 3.1; de aldeia em aldeia, Lucas 8.1. Pregavam a verdade sagrada de Deus e nada se fala sobre o púlpito ou o modo como se prega hoje em dia. Por que estou dizendo isso? É porque hoje nas igrejas o púlpito é considerado uma coisa sagrada, quem ali vai, torna-se um super crente, muda até de voz! Fala o que bem quer e ninguém pode interrompê-lo, nem questiona-lo.       Outro erro é que pra eles, o sermão é a única maneira de alguém se edificar. Tudo isso não passa de falácia, de engano!

De onde veio a ideia do Púlpito ser Sagrado?

       Na época da igreja primitiva ninguém usava púlpito, nem pra segurar as bíblias. As escrituras naquela época eram rolos de papiros contendo livros do “Antigo Testamento” e pergaminhos que eram folhas em velino de pele de animais tratadas, extremamente caras.

        Quatrocentos anos depois de Cristo, a taça e o pão (elementos da ceia) eram vistos como objetos que intimidavam, causavam medo e mistério. Por considerarem esses elementos sagrados e de mistérios, algumas igrejas colocaram uma armação ornamental, um dossel sobre a mesa do altar onde ficavam os elementos da ceia.

      No século XVI, mil e seiscentos anos depois de Cristo, colocaram grades sobre a mesa do altar. Essa é a mesa onde a sagrada comunhão é colocada. O altar-mesa significa o que é ofertado a Deus (o altar), e o que é dado ao homem (a mesa). Essas grades significavam que a mesa do altar era um objeto santo a ser tocado somente por pessoas santas, por exemplo, o clero. No século IV, o leigo já tinha sido proibido de ir ao altar. No centro da igreja ficava o altar. Antes, os altares eram feitos de madeira, posteriormente, no início do século VI, começaram a serem feitos de mármore, pedra, prata ou ouro. O altar era considerado o local mais santo da igreja por duas razões. Porque era lá que frequentemente ficavam as relíquias dos mártires. Em segundo lugar, porque sobre o altar ficava a eucaristia (o pão e a taça). No século XVI, estourou a reforma protestante. A maioria dos reformadores era ex-padres. Sendo assim, haviam sido inconscientemente condicionados aos padrões de pensamento do Catolicismo medieval. Os reformadores fizeram pequenas mudanças nas práticas da igreja, pois a massa não estava pronta para mudanças radicais.

        Eles fizeram do púlpito o centro dominante ao invés de centralizar a mesa do altar, como era feita antes!

       A reforma foi construída sobre a ideia de que as pessoas não poderiam conhecer a Deus, ou crescer espiritualmente ao menos que ouvissem pregações.

      O púlpito foi movido para mais perto de onde as pessoas sentavam, tornando o sermão uma parte fixa do culto.

       No fim da Idade Média, o púlpito tornou-se comum em igrejas de paróquias.
       Com a Reforma, tornou-se a peça central da mobília na igreja.
       O púlpito simbolizava a substituição da centralidade da ação ritualística, que era  a missa, abolida pelos reformadores, e transformou-se na instrução verbal clerical, que é o sermão.

       Tudo isso faz parte de tradições de homens. Tradições que impedem que o povo de Deus o adore em espírito e em verdade.

O Sermão, ou Pregação!

         Alguém diz: “Fulano de tal é um bom pregador; prega como o Apóstolo Paulo.” Nenhum pregador que conheço prega como Paulo! Não falo sobre questões teológicas, mas, no modo de se pregar hoje em dia.

          O camarada vem todo arrumado, às vezes até sabemos quem vai pregar só pela forma como o camarada está vestido, aí sobe no púlpito, e começa sua homilia. Fala, fala, fala e ninguém diz nada, nem faz uma perguntinha, e ele, fala, fala, fala, promete, mente, torce as escrituras, e todo mundo fica calado, até quem sabe que ele está errado, e ai de quem disser um pio ou fazer qualquer questionamento. O homem tá “ungido”; não podemos atrapalhar o Espírito Santo. E pegue mentira, erro e ladainha! Isso não tem nada a ver com as pregações de Jesus nem de seus apóstolos, mas foi emprestado diretamente da associação pagã da cultura grega!

O Surgimento do Sermão de nossos dias!

        No século V, antes de Cristo havia um grupo de mestres peregrinos chamados Sofistas. De acordo com estudiosos, eles inventaram a retórica, que é a arte de falar persuasivamente. Eles costumavam recrutar discípulos e exigiam o pagamento dos que estivessem interessados em ouvir seus discursos.

          Os Sofistas eram experientes na arte de debates. Eram mestres em usar os adequados apelos emocionais, aparência física e linguajar para “vender” seus argumentos. Com o tempo, o estilo, a forma e a destreza da oratória dos Sofistas chegaram a ser mais estimada do que sua exatidão. Por isso, um bom orador poderia usar seu sermão para influenciar sua audiência a acreditar numa coisa que ele sabia que era falso. Para a mente grega, ganhar um argumento era uma virtude maior do que pregar a verdade.


      É daqui que vem a forma do sermão que ouvimos hoje em dia nas igrejas. Hoje, os seminaristas pagam uma disciplina chamada homilética para aprender a pregar, com todas as técnicas de retórica dos Sofistas.

      Como se vestir, como se portar, o cuidado com os gestos, a eloquência, o cuidado para não ferir os ouvintes com alguma palavra “pesada”! Pelo amor de Deus! É por isso que eu disse que ninguém prega mais como Paulo.
   
       Jesus e os apóstolos não usavam púlpitos, não queriam atrair ninguém pelo modo de falar nem de vestir, eles desejavam que as pessoas fossem atraídas por Deus Pai. Paulo disse: “A minha palavra e a minha pregação não consistiram em linguagem persuasiva de sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder, para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria humana, e sim no poder de Deus.” 1Coríntios 2.4-5.
      É dos Sofistas também que surgiu essa prática de um só camarada falando (o pregador), e todos os demais ouvindo passivamente, sem falarem nada, nem questionarem coisa nenhuma.

      Como é diferente da verdadeira pregação, e o conteúdo nem se fala, as diferenças são gritantes.

       O sermão de hoje não tem raízes nas Escrituras, mas, é emprestado, recuperado e adotado da cultura pagã para a fé cristã. Essa verdade pode escandalizar, mas é verdade!

       Vejamos algumas diferenças.

Velho Testamento

         No sermão do Antigo Testamento havia participação ativa e interrupções. Profetas e sacerdotes pregavam incomodando os ouvintes, abordando um tema atual, ao invés se usar anotações. Eles falavam em resposta a acontecimentos específicos, e não proferiam discursos ou mensagens regularmente ao povo de Deus, (Deuteronômio 1.1; 5.1; 27.1; 9; Josué 23.1; 24.15; Isaías; Jeremias; Ezequiel; Daniel; Amós; Zacarias; etc).

         Nessa época o sermão era esporádico, era algo que fluía e havia abertura para a participação pública.


Novo Testamento

       As mensagens que Jesus compartilhou a maior parte das vezes com os discípulos, eram consistentemente espontâneas e informais.

       Seguindo o mesmo padrão, a pregação apostólica registrada em Atos, era esporádica,  ministrada em ocasiões especiais para tratar de problemas específicos, Atos 2.14-35; 7.1-53; 15.13-21;32;  17.22-34; 20.7-12; 17-35; 26.24-29.

      Era improvisada e não tinha uma estrutura retórica. Incluía debates e interrupções por parte do povo, ao invés de um mero monólogo.

        A palavra grega frequentemente usada para descrever a pregação e os ensinos do primeiro século é dialégomai (Atos 17.2; 17; 18.4; 19; 19.8-9; 20.7; 9; 24.25). Ela literalmente significa raciocinar, ensinar com método de perguntas e respostas, discursar, mas sempre com a ideia de estímulo intelectual, é dessa palavra grega que vem o termo português, “diálogo”. Ou seja, é uma conversação entre duas ou mais pessoas. Mas o que se vê nas reuniões religiosas de hoje é um camarada falando e os demais ouvindo passivamente.

      Em poucas palavras, o púlpito e os sermões contemporâneos são alheios tanto ao Antigo quanto ao Novo Testamento.
       Não existe absolutamente nada nas Escrituras que indique sua existência nas reuniões da Igreja primitiva.

       Que o Senhor nos dê discernimento para compreender a sua verdade.

Em Cristo

Francisco Rodrigues Filho